Ricardo Grizonic e Sara Coelho

Nome: Ricardo Grizonic e Sara Coelho
Idades: 24 e 29
Na Holanda: há três anos
Naturais de: Oeiras
Vivem em: Leiden
Ocupações:Estudante de Engª eletrotécnica na TU Delft e Programador; Técnica de recursos humanos na Danone.
 
 

Ricardo acabou por escolher a Holanda no seu intercâmbio estudantil ao abrigo do programa Erasmus. Dentre outras opções europeias escolheu esta pelo custo de vida e a reputada universidade de Delft. Acabou por ir ficando. Sara, também chegou pelos estudos, e das três cidades que ofereciam um bom mestrado em psicologia organizacional, acabou por escolher a universidade de Leiden em detrimento de Amesterdão e Roterdão. Leiden revelou-se-lhe mais autêntica e atrativa em oposição à multiculturalidade frenética das outras. Ricardo e Sara namoram e partilham uma simpática casa em Leiden. Apesar de já se conhecerem de Portugal dizem que provavelmente lá, não teriam começado a relação.

Chegar foi uma surpresa para ambos. Ricardo admirou-se com um país de 16 milhões de habitantes, e bem menor que Portugal, em que os prédios baixos dominam as cidades separadas entre si por paisagens provincianas. Já Sara espantou-se com mães carregando três crianças na bicicleta e pedalando mais rápido que ela, contou-nos jocosamente. Depois dos impactos iniciais, veio a vida ao bom estilo holandês, e Ricardo foi percebendo que a vida universitária tinha regras bem específicas. Exemplo disso eram as fraternidades dos estudantes de Delft, onde os estrangeiros têm dificuldade em penetrar; a sua curiosidade que o diga. Num país de mentalidades abertas não julgou normal, de todo, a existência destes grupos restritos de estudantes, ainda mais, habituado a receber estudantes de todo o mundo.

A vida aqui, essa, ambos destacam, é boa. Sara dá valor à organização e honestidade nacionais e não deixa de gabar as mulheres holandesas que diz serem muito bonitas. Ricardo não comentou mas rematou que a vida é descontraída e bem regulada. Tanto, que hoje confessa saber respeitar encontros com pontualidade ao bom estilo holandês. O que não consegue lidar tão bem é com os almoços: “sandes estranhas, com pepitas de chocolate e etc.”. Além disso a atitude perante o almoço de meter uma bucha e siga não faz o seu género. Sara não se queixa tanto da comida mas lamenta o serviço nacional de saúde no qual a pessoa não pode ir ao hospital quando quer, e em que o paracetamol parece ser o remédio santo e universal dos médicos.

No trabalho as coisas vão bem. Ricardo é programador numa start-up e está em vias de terminar o seu curso de Engª eletrotécnica. Sara é técnica de recursos humanos na Danone e ambos estão satisfeitos com a atual ocupação. No entanto, o começo foi diferente, e nem por isso menos interessante. Sara começou por treinar sete equipas de vólei em Leiden e com isso pagou a sua renda durante dois anos. Ricardo aventurou-se como repositor num supermercado e conseguiu fazer dinheiro ao mesmo tempo que tinha flexibilidade para os estudos.

Juntos pensam voltar em Portugal no longo ou médio prazo. “Depende do próximo ano”, dizem. Até lá vivem bem. Gostam de passear, cozinhar, jogar vólei e têm tempo para partilhar com o seu grupo internacional de amigos (holandeses, portugueses, franceses, americanos e alemães, sem ordem relevante, afirmam). Uma das coisas que mais sentem falta de Portugal é a praia. Isso, e o clima. Mas vão-se acostumando, claro.

E ambos se foram de facto acostumando à Holanda com a experiência. Ricardo é hoje mais descontraído no local de trabalho, desde que na sua primeira entrevista, o patrão, o Sr. Michel, lhe aparece à frente, após ser anunciado pela rececionista, de calças rotas e t-shirt. Desde esse dia deixou de ser um problema para Ricardo ir de chinelos para o local de trabalho. Sara descobriu a informalidade holandesa de um ponto de vista mais policial, após a sua primeira visita a Amesterdão. A mala de uma sua amiga é perdida no passeio pela cidade e a angústia só seria quebrada várias horas depois por um telefonema da polícia. Dentro da mala estavam todos os pertences e máquina fotográfica. Uma fotografia, no entanto, havia sido tirada: dois policias na esquadra sorridentes e com uma careta de: “encontrámos a tua mala!”.

 

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